Quem são os profissionais dos seguros?
A atividade seguradora empregava, no final de 2024, cerca de 10,5 mil trabalhadores, onde as mulheres representam 58% do total, face a 42% de homens. A idade média dos colaboradores ronda os 45 anos.
- O setor segurador português registou um aumento de 243 trabalhadores em 2024, totalizando 10.480 colaboradores, segundo a APS.
- A maioria dos profissionais é altamente qualificada, com 43% a possuir formação superior, refletindo um perfil superior à média nacional da população ativa.
- O setor enfrenta o desafio de manter o equilíbrio entre a experiência dos colaboradores mais antigos e a atração de novas gerações qualificadas.
O setor segurador português empregava 10.480 pessoas no final de 2024, mais 243 do que no ano anterior. O número consta do relatório “Caracterização do Pessoal da Atividade Seguradora”, divulgado pela Associação Portuguesa de Seguradores (APS) a 16 de julho, com base numa recolha junto das associadas e numa amostra representativa de 84% do mercado.
Não é um setor grande. É, porém, um dos mais qualificados e dos mais estáveis da economia portuguesa, e o retrato que sai destes dados ajuda a perceber quem está do outro lado quando um cliente participa um sinistro, pede uma simulação ou renegoceia uma apólice.
Um setor maioritariamente feminino
Das 10.480 pessoas que trabalham na atividade seguradora, 6.036 são mulheres e 4.445 são homens. A repartição é de 58% para 42%, e mantém-se favorável às mulheres em todas as faixas etárias abaixo dos 59 anos.
O crescimento do último ano acentuou esta tendência. Dos cerca de 243 postos de trabalho criados em termos líquidos, a larga maioria correspondeu a mulheres, que passaram de 5.844 para 6.036 colaboradoras.
É um dado relevante num setor historicamente associado a estruturas comerciais e técnicas masculinas. A feminização não é recente, mas consolidou-se de forma transversal, e é hoje uma das características mais distintivas do emprego segurador em Portugal.
Três em cada quatro são profissionais qualificados
A estrutura profissional, classificada segundo os critérios da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), mostra um setor assente em conhecimento técnico.
Os profissionais altamente qualificados representam 43% do total e os profissionais qualificados 33%. Somados, são mais de três quartos dos trabalhadores. Os quadros médios ficam nos 14%, os quadros superiores nos 5% e os dirigentes executivos em 1%. Apenas 3% pertencem à categoria de semi-qualificados.
Traduzido para a experiência de quem contrata um seguro, significa que a maioria das pessoas que analisa um risco, calcula um prémio ou avalia um sinistro exerce funções tecnicamente exigentes, sujeitas a formação contínua e a requisitos regulatórios próprios.
Mais qualificados do que o país, e a subir
Entre os colaboradores do setor, 64% têm ensino superior, 33% ensino secundário e apenas 3% ensino básico. É um perfil muito acima da média da população ativa portuguesa.
A tendência é de reforço. Nas faixas mais jovens, a formação superior é quase universal: 78,2% dos trabalhadores entre os 18 e os 26 anos e 77,6% dos que têm entre 27 e 42 anos concluíram o ensino superior. Cada geração que entra chega mais qualificada do que a anterior.
As áreas de formação são também mais diversificadas do que o estereótipo sugere. Além das ciências empresariais, da economia e do direito, o setor recruta em engenharia, informática, matemática e estatística, ciências sociais e do comportamento, saúde e ainda na área de informação e jornalismo. É o reflexo de uma atividade que junta modelação de risco, tecnologia, regulação e comunicação com o cliente.
Carreiras longas, conhecimento acumulado
A antiguidade média no setor atinge os 17,7 anos. Na mesma empresa, 38% dos trabalhadores estão há mais de duas décadas.
Num mercado de trabalho marcado pela rotação frequente, este é um traço invulgar. Significa que o conhecimento sobre produtos, sinistros históricos e comportamento de carteiras se mantém dentro das organizações, o que tem tradução direta na qualidade da subscrição e na resolução de casos complexos.
A idade média dos colaboradores é de 44,9 anos, praticamente estável face aos 44,8 de 2023. A faixa dos 43 aos 58 anos concentra 55% dos ativos, um núcleo experiente que sustenta a operação e a transmissão de competências.
A estabilidade não impede a renovação. Cerca de 29% dos trabalhadores estão na empresa há menos de cinco anos e as novas contratações representaram 7,7% do total em 2024, a mesma proporção registada no ano anterior. Entram menos pessoas do que noutros setores, mas entram de forma consistente.
O modelo híbrido tornou-se a norma
Em 2024, o regime híbrido já ultrapassava o presencial: abrange 49% dos trabalhadores, contra 43% em regime presencial e 8% em teletrabalho integral.
Dentro do híbrido, o padrão instalado são dois ou três dias fora do escritório. Dois dias abrangem 27% do total de colaboradores e três dias abrangem 20%. Apenas 2% praticam um único dia por semana.
O setor foi, neste ponto, mais longe do que a média nacional. A transição fez-se sem quebra de atividade e consolidou um modelo que hoje faz parte da proposta de valor das seguradoras enquanto empregadoras.
Uma geografia concentrada
A Área Metropolitana de Lisboa acolhe 82% dos trabalhadores da atividade seguradora. Segue-se o Norte com 11%, o Centro com 4%, o Alentejo e o Algarve com 2% e as Regiões Autónomas com 1%.
Em nacionalidades, 96% dos colaboradores são portugueses, com os restantes 4% repartidos entre outros países da União Europeia, PALOP e outras origens.
O que este retrato revela
Somados, os indicadores desenham um setor com um perfil próprio: qualificado, experiente, maioritariamente feminino, tecnicamente exigente e com uma relação de longa duração entre empresas e trabalhadores.
Para quem contrata um seguro, isto tem um significado concreto. As decisões que determinam coberturas, prémios e indemnizações são tomadas por profissionais com formação superior e, em média, quase duas décadas de experiência no setor.
Para o próprio setor, o desafio dos próximos anos está em manter esse equilíbrio. Preservar o conhecimento acumulado por quem está há mais tempo e, ao mesmo tempo, continuar a atrair as gerações que chegam com formação superior e competências digitais. O relatório da APS mostra que as duas coisas têm sido possíveis em simultâneo.