PIB português foi ver Obama ao Porto, mas só porque não houve Ronaldo na Rússia

O Coliseu do Porto foi um verdadeiro palco de estrelas esta sexta-feira. A Obama juntaram-se alguns dos nomes mais sonantes da economia nacional. Obama só falou uma hora, mas não desiludiu.

Adrian Bridge, diretor-geral da The Fladgate Partnership e Barack Obama, ex-presidente dos EUA

O Coliseu foi, na tarde desta sexta-feira, palco de verdadeiras estrelas. Para ver a estrela principal — Barack Obama — mais de três mil convidados, todos eles altos quadros de empresas nacionais, mas também da política, sujeitaram-se a altas medidas de segurança, ou não fosse estar no palco o ex-presidente dos EUA. Mas sujeitaram-se também a um almoço… muito pouco convencional, tudo para ver e ouvir o ex-presidente americano.

Desde os Azevedos (Nuno, Paulo e Cláudia), passando pelos Amorim comandados pela dupla Rios Amorim e Paula Amorim, a Galp Energia (Carlos Gomes da Silva) e, também, pela Nos (Miguel Almeida e seus pares), bem como Isabel Furtado, da Cotec, foram muitas as individualidades do mundo empresarial que marcaram presença. Entre estes estavam também Artur Santos Silva e o ex-presidente da CGD, António Domingues.

O Coliseu encheu-se de boa parte do PIB. E da classe política também: Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto, Ricardo Rio, presidente da Câmara de Braga, Manuel Caldeira Cabral, Ana Teresa Lehman e Álvaro Almeida, ministro sombra de Rio para as Finanças, só para citar alguns dos nomes que disseram “presente”.

Fazer um piquenique no… Coliseu

Houve um verdadeiro desfile de estrelas, todas vestidas a rigor para ver Obama. Mas nem por isso escaparam à revista da segurança. E a pretexto da segurança, foram impedidos de sair do Coliseu para almoçar — o almoço seria fornecido pela organização numa lunch box. Até aqui tudo bem, o pior é que não havendo sítio para se sentarem, os convidados foram-se dispersando pelo recinto. A dada altura a escadaria do Coliseu estava repleta de altos quadros da empresas nacionais, sentados no chão, a comerem a sua sandes.

Entre os convivas havia quem brincasse com a situação. “Isto mais parece o Nos Primavera Sound, mas sem cerveja”, afirmou um dos convidados. Mas se havia quem achasse este momento “fora da caixa” engraçado, havia também quem lamentasse que um acontecimento destes, tão marcante para a cidade, tivesse este momento.

Outro momento “fora da caixa” foi o sorteio, que viria a selecionar 100 convidados para tirarem uma foto com… Obama. Um momento, que dizem, alguns dos selecionados, foi bastante simpático.

Finalmente são 15 horas. A hora prevista para a entrada em palco do ex-presidente dos Estados Unidos.

Obama, veste um fato escuro, senta-se. O Coliseu até aí meio “amorfo”, mostra ao que veio. Obama recebe uma grande salva de palmas. E em português correto, atira um “obrigado”. Apesar dos pedidos para não tirarem fotos, nem para gravarem, são muitos os telemóveis que tentam apanhar o momento. Percebe-se. Não é todos os dias que se tem em Portugal, e que se tem no Porto, uma figura da primeira linha internacional.

Obama? Se houvesse jogo da seleção…

Lá fora, não muito longe do Coliseu, num ecrã gigante, decorre o jogo dos quartos-de-final do campeonato do Mundo. É o Uruguai-França, mas podia ser o Portugal-França. Uma hipótese que chegou a atormentar a organização do encontro. O duelo Obama-Ronaldo, infelizmente para Portugal não se colocou. Felizmente para a organização.

De resto, eram muitos os presentes que disseram ter pensado no tema, e sobretudo, alguns, com cargos relevantes em empresas cotadas no PSI 20, que chegaram mesmo a admitir que se Portugal jogasse estariam a ver… o jogo. Ronaldo 1, Obama 0.

"A má notícia é que o meu sucessor não concordou comigo [quanto às alterações climáticas].”

Barack Obama

Ex-presidente dos EUA

Aliás, muitos confessaram também só estar ali por Obama. Com a ressalva que o acontecimento era muito relevante, mas sem o cabeça de cartaz não teriam vindo.

Voltemos a Obama. Sem nunca falar em Trump, algo que já durante a manhã tinha feito, em Madrid, onde participou numa conferência sobre economia circular, foi dando “bicadas” no seu sucessor, o homem que hoje mesmo pôs na prática a guerra comercial com a China.

“A má notícia é que o meu sucessor não concordou comigo [quanto às alterações climáticas]”. Foi o mais longe que Obama foi.

Obama teve ainda tempo para dizer que esta é a terceira visita que faz a Portugal, a segunda delas foi como chefe de Estado em setembro de 2010, que lamenta que sejam sempre visitas rápidas e que gosta “muito de vinho do Porto”.

O ex-presidente americano que tem uma visão mais transversal sobre o problema das alterações climáticas do que os oradores anteriores, afirmou ainda que já existem soluções, e boas. “O problema é implementá-las”, rematou.

“Temos de encorajar os cidadãos a pressionar os seus governos. As coisas têm de ser resolvidas a partir das bases”, afirmou.

E numa nova “bicada” a Trump acrescentou: “algumas vezes a liderança esquece que o poder vem das pessoas e não se pode impor uma resposta sem que estas sintam resistência”.

O jornalismo foi também tema nas cerca de 25 perguntas — previamente combinadas — a que respondeu. Tudo para dizer que é preciso “apoiar o jornalismo de qualidade”.

Pouco empático, cansado… mas é Obama

Uma hora depois, nem mais um minuto, Juan Verde, o presidente da Advanced Leadership Foundation, que conduziu a conversa com Obama, dá por terminada a palestra. Obama agradece e o Coliseu, de pé, aplaude o ex-presidente americano.

Os cerca de três mil convidados abandonam o Coliseu. Pouco empático e a falar pausadamente são algumas das referências que são feitas ao que acabaram de ouvir. Há mesmo quem o tenha achado “com ar cansado” e menos efusivo do que seria previsível, mas tudo isso foi superado com a… experiência que Obama adquiriu e conseguiu transmitir depois de oito anos como presidente dos Estados Unidos.

Aliás, como diria Álvaro Almeida, ministro sombra de Rio para as Finanças, “gostei mais da segunda parte da sua intervenção, aquela em que fala mais da parte política”.

"Obama tem uma visão mais transversal do problema, sempre numa lógica muito americana da coisa, mas gostei sobretudo do engagement entre as questões do território, as gerações futuras e a tecnologia.”

Carlos Gomes da Silva

CEO da Galp Energia

Gomes da Silva, presidente da Galp Energia, estava fascinado com Mohan Munasinghe, prémio Nobel da Paz, em 2007, um dos oradores da manhã. “Colocou em balanço todas as variáveis e tudo o que é preciso fazer”, sublinhou o presidente da petrolífera.

Quanto a Obama, Gomes da Silva diz que “foi uma surpresa, na medida em que eu não tinha antecipado qual seria a sua prestação”. Obama, acrescenta, “tem uma visão mais transversal do problema, sempre numa lógica muito americana da coisa, mas gostei sobretudo do engagement entre as questões do território, as gerações futuras e a tecnologia”.

As questões ambientais interessam ao presidente da petrolífera nacional e em sua defesa refere, “as emissões de CO2 são apenas uma pequena parte do problema”. E remata: “Obama tem razão, temos soluções, o problema é sua implementação. Com as tecnologias que temos hoje, e com a mudança que cada um de nós poderia fazer, poderíamos diminuir em 30% o consumo energético”.

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