Bruxelas tem um programa Erasmus para PME. E vai ser reforçado

  • Vasco Gandra
  • 21 Outubro 2018

Durante o período fora do país, o trabalhador continua a receber o seu salário e a deslocação e estadia são financiadas pelo programa da União Europeia.

A Comissão Europeia vai alargar em 2019 o projeto europeu de mobilidade para as pequenas e médias empresas. A prazo, podem estar reunidas as condições para criar um programa de mobilidade alargado para os profissionais das PME, idêntico ao Erasmus para estudantes.

O projeto-piloto de mobilidade — MobiliseSME — prevê o envio de trabalhadores qualificados, gestores ou empresários de PME para uma empresa do mesmo setor noutro país europeu entre 15 dias e dois meses. Durante esse período, o trabalhador continua a receber o seu salário e a deslocação e estadia são financiadas pelo programa da União Europeia.

O projeto testou o interesse das PME e a viabilidade de um programa alargado de mobilidade transfronteiras. Entre 2016 e 2017, registou um êxito crescente junto de pequenas e médias empresas europeias. No final do teste tinham participado 59 empresas representando 23 setores de 16 Estados-membros da UE.

O objetivo da Comissão e da Confederação Europeia das Pequenas e Médias Empresas — autora do projeto — é reforçar o programa no próximo ano. O executivo comunitário pretende aumentar o número de participantes para 250 em 2019.

A prazo, pode tornar-se num embrião de um verdadeiro programa Erasmus alargado, idêntico ao que já existe estudantes ou para jovens empreendedores. Até lá, a Comissão pretende avançar de forma faseada enquanto vai observando as necessidades das PME. Mas Bruxelas garante que os resultados são animadores.

“Ainda estamos na fase de testes do programa e portanto numa abordagem passo a passo para testar as necessidades do mercado e a metodologia. Para já, não lhe chamaria um ‘Erasmus‘ mas é definitivamente uma iniciativa de sucesso que trouxe vários resultados bons, mas um passo de cada vez”, explica ao ECO Christian Wigand, porta-voz da Comissão Europeia para o Emprego e Assuntos Sociais.

Adquirir novas competências e estimular a economia

À semelhança do programa de mobilidade para estudantes Erasmus, pretende-se que os profissionais partilhem conhecimentos e experiências e adquiram novas competências. Permite ainda obter ideias novas sobre produtos, serviços e organização e praticar outros idiomas. O MobiliseSME também pode estimular a economia e as exportações a partir da relação que as empresas envolvidas estabelecem.

“O MobiliseSME não tem como objetivo principal o aumento das exportações mas pode ter esse efeito lateral. Graças à troca, duas PME podem decidir fazer negócios. Abrimos espaços de cooperação. Então cada companhia retira vantagens”, afirma Stefan Moritz da Confederação Europeia das PME, em Bruxelas.

A Confederação é um dos principais defensores da criação de um Erasmus para as PME, que constituem a espinha dorsal da economia europeia e do mercado interno: cerca de 23 milhões de pequenas e médias empresas empregam 90 milhões de pessoas na Europa.

Os promotores do projeto garantem que as empresas — a de origem e a anfitriã –, bem como o trabalhador beneficiário são ganhadores. Segundo o estudo que avaliou os primeiros resultados, o índice de satisfação ronda os 95%. Para além disso, a esmagadora maioria das empresas admite que os negócios transfronteiras vão prosperar e 75% acreditam poder introduzir novos produtos e serviços no mercado.

Mas a fase piloto permitiu igualmente detetar vários desafios que o projeto ainda enfrenta. A maioria das empresas participantes tem menos de cinco empregados ou é unipessoal pelo que seria desejável que outras de maior dimensão participem.

Por outro lado, nem todos os setores de atividade se candidatam por igual. Apesar de não haver um setor claramente dominante, as empresas da área das tecnologias da comunicação e da informação, do marketing, dos serviços de consultoria e contabilidade aparecem como as mais prometedoras em termos de participação.

Um reequilíbrio do ponto de vista geográfico também parece necessário já que os países que mais participaram na primeira fase do projeto foram sobretudo a Alemanha, Espanha, Hungria e Estónia. Os resultados demonstram ainda que é necessário fazer mais para informar as empresas da existência do projeto através, por exemplo, de uma rede europeia de associações locais com ligações às PME e de uma plataforma online que facilite a informação e comunicação.

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