Bancos encerram 100 balcões até ao verão. Só da Caixa são 70

A CGD vai fechar 70 balcões este ano. Paulo Macedo diz o número, mas o sindicato dos trabalhadores da CGD revela que o plano é encerrar as agências até ao verão. Novo Banco fecha 35 este mês.

Depois de ter fechado 64 balcões no ano passado, a Caixa Geral de Depósitos vai encerrar mais 70 a 80. O número foi avançado pelo presidente do banco estatal, Paulo Macedo, em entrevista ao ECO24. São mais balcões a fechar portas, sendo que estes encerramentos serão muito rápidos. Deverão acontecer até à chegada do verão, de acordo com João Lopes, presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do Grupo CGD (STEC). Em menos de três meses, juntando o Novo Banco, vão desaparecer mais de 100 balcões.

O presidente da CGD não escondeu a meta, mas não se comprometeu com datas para levar a cabo a nova vaga de encerramentos de balcões, no seguimento dos compromissos assumidos com Bruxelas em resultado do plano de reestruturação que permitiu a injeção de cinco mil milhões de euros no banco. “A CGD vai fechar 70 balcões até junho”, revela o presidente do STEC ao ECO, garantido que essa foi a indicação deixada pela administração liderada por Paulo Macedo. Contactada, não foi possível obter uma resposta da CGD até à hora da publicação deste artigo.

“Faltam três meses e ainda não sabemos onde vão fechar, para onde vão ser transferidas as contas e para onde vão as pessoas”, nota João Lopes, dizendo que “vai ser o mesmo filme do ano passado”. A CGD fechou 64 balcões no ano passado, de acordo com o relatório e contas para 2017 do banco estatal, provocando grande descontentamento entre as populações de várias regiões do país, nomeadamente em Almeida.

"A CGD vai fechar 70 balcões até ao verão (…) Faltam três meses e ainda não sabemos onde vão fechar, para onde vão ser transferidas as contas e para onde vão as pessoas.”

João Lopes

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do Grupo CGD

Em relação às zonas geográficas onde vão ser encerradas as agências, Paulo Macedo disse que os “critérios [para fechar os balcões] são os da rendibilidade negativa, a proximidade e localização de outros bancos, a distância do banco mais próximo da Caixa e qual é a oferta existente”.

“O plano de reestruturação tem de ser aplicado, porque foi isso que ficou definido com a Comissão Europeia, mas podemos discutir a rapidez com que é implementado”, nota o presidente do STEC.

O Novo Banco também está a acelerar o encerramento de balcões. Só este mês, o banco liderado por António Ramalho vai fechar 35 balcões, um número que vai aumentar para 73 até ao final do ano. Assim, até à chegada do verão, haverá uma redução expressiva no número de balcões entre os maiores bancos nacionais.

A estes juntam-se mais duas agências no Porto e em Lisboa que o BPI quer fechar até ao final do mês — não há planos públicos por parte do BCP e Totta. Vão desaparecer 107, número que vai crescer para cerca de 150 no total do ano. No ano passado, as maiores instituições encerraram um total de 270 balcões.

Aumentos salariais? Progressão na carreira? “Não temos resposta da CGD”

Além dos encerramentos de balcões e saída de colaboradores, há um outro tema que tem estado em cima da mesa: a negociação da tabela salarial e o retomar das progressões na carreira dos trabalhadores que foram prometidas pela CGD. O sindicato diz que tem tentado dialogar com a administração, mas com pouco sucesso.

“Não é que haja falta de diálogo. Até há, mas é um verdadeiro monólogo”, diz o presidente do STEC, falando num “diálogo de surdos”. O presidente da entidade que representa os funcionários do banco estatal diz ao ECO que a primeira reunião devia ter acontecido no dia 12 de abril, mas “estamos a 16 de abril e ainda não responderam”. Isto depois de a CGD ter proposto um “aumento de 0,35% dos salários, o que é inqualificável”.

Não é que haja falta de diálogo. Diálogo até há, mas é um verdadeiro monólogo.

João Lopes

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do Grupo CGD

Foi no início de fevereiro que a CGD revelou que ia, pela primeira vez em muitos anos, negociar a tabela salarial dos trabalhadores, assim como iria retomar as progressões na carreira. Isto no dia em que o banco liderado por Paulo Macedo anunciou lucros de 52 milhões de euros no total de 2017, após os prejuízos recorde do ano anterior.

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