Banca multiplica lucros. Só a CGD continua no vermelho

Os bancos conseguiram multiplicar por 12 os lucros até setembro. Só o banco público continua com prejuízo, o que deve mudar já em 2018. As imparidades continuam a cair e os rácios estão mais fortes.

Nuno Amado (BCP); Pablo Forero (BPI); António Vieira Monteiro (Santander Totta); Paulo Macedo (CGD).

Cortar, cortar, cortar… Os esforços dos bancos portugueses para recuperarem da crise e regressarem à rentabilidade estão a dar frutos. BPI, Santander Totta e BCP conseguiram multiplicar por 12 os lucros nos primeiros nove meses deste ano. Isto em comparação com o mesmo período do ano passado — e excluindo o Novo Banco, que ainda não apresentou as contas. Apenas a Caixa Geral de Depósitos (CGD) continua com prejuízos. Mas Paulo Macedo, presidente do banco público, já disse que a instituição deve entrar no verde já no próximo ano.

Olhando para o ‘bolo’ de 440 milhões de euros — que compara com os 36 milhões registados nos primeiros nove meses de 2016 já que tanto CGD como BCP tinham prejuízos avultados —, o Santander Totta é o responsável pela maior ‘fatia’ dos lucros na banca. São 331,9 milhões de euros até setembro, graças a uma quebra dos custos e das imparidades e provisões.

“Estes bons resultados decorrem do crescimento orgânico da nossa atividade, e do controlo de custos e do risco de crédito”, afirmou o presidente do Totta, António Vieira Monteiro, na apresentação dos resultados para os primeiros nove meses do ano. E ainda sem a integração do Popular — faltam ainda duas autorizações para concluir este processo.

Em segundo lugar neste top dos lucros surge o BCP, que no ano passado tinha prejuízos de 251,1 milhões. O banco liderado por Nuno Amado conseguiu passar de prejuízo a lucros até setembro. Foram 133,3 milhões de euros, beneficiando da “expansão contínua do resultado core“. Já o BPI é o “mais pequeno” em termos dos lucros, mas há um motivo: o Banco Fomento de Angola. O banco liderado por Pablo Forero fechou os primeiros nove meses do ano com lucros de 23 milhões de euro fruto da desconsolidação do BFA, mas também por custos de reestruturação.

CGD vai voltar aos lucros em 2018? “É este o cenário que temos, [reforçado pelos resultados dos últimos trimestres]”.

Paulo Macedo

Presidente executivo da CGD

No vermelho está ainda a CGD. Mas será uma situação temporária, segundo o presidente do banco estatal. Na apresentação das contas, Paulo Macedo voltou a reforçar a ideia de que o regresso aos resultados positivos na atividade doméstico deve acontecer já no próximo ano. “É este o cenário que temos”, reforçado pelos resultados dos últimos trimestres, referiu o presidente do banco estatal. A instituição financeira — que foi alvo de uma profunda reestruturação — tem sido capaz de melhorar as contas trimestre a trimestre, graças sobretudo à diminuição das provisões.

Malparado pesa, mas muito menos

Apesar de os bancos continuarem a debater-se com o problema do malparado, estes créditos tóxicos pesam agora menos na rentabilidade das instituições financeiras. BPI, Totta, CGD e BCP diminuíram para metade as provisões e imparidades para o crédito: o bolo passou de 1.397 milhões para 592,2 milhões de euros, segundo cálculos do ECO com base nas contas dos bancos. É que a “limpeza” no setor foi feita sobretudo no ano passado. Só o banco estatal fechou 2016 com uma fatura de mais de três mil milhões de euros com o reconhecimento das imparidades.

No BCP, apesar de o montante para provisões ainda ser elevado, também caiu para quase metade: de 870 para 458 milhões nos primeiros nove meses deste ano. A CGD reconheceu mais 81 milhões de perdas com o crédito em incumprimento.

Rácios de capital? Ainda mais fortes

Se há um indicador que tem vindo a dar sinais de melhoria são os rácios de capital. Mas o que é que isto significa na prática? São estes os rácios que as autoridades analisam para aferir a robustez de uma instituição num cenário de adversidade económica. Quanto mais baixo estiver o rácio, mais desprotegido está o banco.

Olhando para os bancos nacionais, há agora uma situação completamente diferente do que há um ano… para melhor. O Santander Totta é o que apresenta rácios mais elevados (CET1 de 16,6% e 16,5% no faseado e no totalmente implementado, respetivamente), mas o BCP e a CGD são os que revelam melhorias mais significativas deste indicador. E isto explica-se pelos aumentos de capital realizados por ambas as instituições.

O banco liderado por Nuno Amado realizou um aumento de capital de 1.330 milhões de euros para reforçar os rácios. E o resultado está à vista: tem agora um rácio CET1 (faseado) de 13,2% e um rácio CET1 (totalmente implementado) de 11,70%. Antes, eram de 12,20% e 9,5%, respetivamente. O mesmo acontece na CGD, mas aqui o apoio do Estado foi essencial para a manutenção de níveis acima dos 13%. Uma ajuda que ficaria acima dos cinco mil milhões, mas baixou ligeiramente.

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