FMI vê PIB português a desacelerar para 2% no quarto trimestre

  • Tiago Varzim
  • 10 Outubro 2017

O Fundo Monetário Internacional prevê que a economia portuguesa desacelere para 2% no quarto trimestre. No primeiro semestre o PIB cresceu 2,9%.

A entidade liderada por Christine Lagarde estima que a economia portuguesa cresça 2% no quatro trimestre deste ano em comparação homóloga. Este valor representa uma desaceleração pelo menos face ao primeiro semestre do ano, mas já é esperada pelos economistas por causa da base de comparação. No longo prazo, o FMI prevê que o PIB estabilize nos 1,2% de crescimento anual, num cenário de políticas invariantes.

Recuemos um ano. Na primeira metade de 2016, o PIB português desacelerou para 1%. O segundo semestre trouxe melhores notícias para Portugal com a economia a acelerar para os 2%. Um ano depois, o resultado vai ser o inverso, precisamente por causa da base de comparação. É isso que prevê o FMI na atualização de outubro do World Economic Outlook: o PIB deverá crescer 2% no quarto trimestre deste ano, a mesma variação registada no quarto trimestre de 2016.

No primeiro trimestre de 2017, o PIB acelerou para os 2,8%. O segundo trimestre sofreu sucessivas revisões em alta pelo INE, chegando aos 3% — graças a uma revisão em alta do crescimento de 2015. Este desempenho da economia portuguesa no primeiro semestre levou à revisão em alta de várias projeções: o Banco de Portugal, o Conselho das Finanças Públicas e o Fundo Monetário Internacional estimam um crescimento anual igual ou superior a 2,5%.

Variações do PIB português segundo o FMI

Fonte: Fundo Monetário Internacional

Dado que a base de comparação do segundo semestre de 2016 é mais elevada, é esperado que a variação do PIB na segunda metade de 2017 desacelere — em comparação com o primeiro semestre. Este desempenho é identificado pelo FMI, mas também foi assinalado pelo CFP e o BdP. Por exemplo, o Banco de Portugal espera que, na segunda metade do ano, o PIB cresça apenas 2%.

Já no último relatório sobre as finanças públicas dos próximos anos, a entidade liderada por Teodora Cardoso escrevia que “para 2017 projeta-se uma variação do PIB em termos reais de 2,7%, refletindo-se nesta projeção uma expectativa de abrandamento económico durante a segunda metade do ano“, dado que o primeiro semestre beneficiou “de um efeito base face ao ano anterior”.

Para o quarto trimestre do próximo ano — num ano que o FMI prevê que o PIB cresça 2% –, o Fundo vê o PIB a subir 2,3% na comparação homóloga.

A longo prazo, o Fundo Monetário Internacional não está tão otimista. “Sem esforços mais ambiciosos para resolver os impedimentos estruturais ao investimento”, o crescimento de médio prazo “tenderá a aproximar-se do crescimento potencial de 1,2%”, lia-se no relatório feito ao abrigo do Artigo IV, divulgado no mês passado. O FMI acrescentava que seria preciso o investimento subir 6,4% ao ano para Portugal crescer 2% em 2021.

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