Comissão: Melhoria dos salários vai abrandar criação de emprego

Bruxelas reconhece a forte criação de emprego em Portugal. Mas avisa que a recuperação dos salários e as dificuldades demográficas do país vão travar o ritmo da criação de emprego já em 2017.

Com o bom desempenho do setor do turismo, as melhorias no mercado de trabalho têm sido evidentes. Mas o ritmo de criação de emprego deverá travar já este ano. O aviso é da Comissão Europeia, nas Previsões de Inverno publicadas esta segunda-feira, em Bruxelas.

“A forte época turística apoiou o mercado de trabalho à medida que a criação de emprego e os salários melhoraram”, reconhece a Comissão Europeia. “Contudo, o crescimento do emprego deverá gradualmente abrandar de 1,3% em 2016 para 0,6% em 2018, à medida que a recente recuperação nos salários pode travar a procura de emprego e as restrições na oferta de emprego relacionadas com a diminuição da população em idade ativa se começam a sentir”, avisam os peritos.

Ou seja, há dois fatores a travar o ritmo da criação de postos de trabalho: o aumento das remunerações e a diminuição da população em idade de trabalhar. Estes dois efeitos tornam o emprego mais caro e, por isso mesmo, mais difícil de criar.

"O crescimento do emprego deverá gradualmente abrandar de 1,3% em 2016 para 0,6% em 2018, à medida que a recente recuperação nos salários pode travar a procura de emprego e as restrições na oferta de emprego relacionadas com a diminuição da população em idade ativa se começam a sentir.”

Comissão Europeia

Previsões de Inverno

O impacto da subida do salário mínimo na criação de emprego tem sido um dos pontos em debate público. A remuneração garantida foi fixada em 557 euros mensais a partir de janeiro de 2017, depois de no ano passado já ter aumentado para 530 euros. E o Executivo inscreveu no Programa de Governo o compromisso de manter aumentos progressivos até atingir os 600 euros mensais, no final da legislatura. Contudo, o Executivo tem garantido que as subidas da remuneração mínima não têm prejudicado o mercado de trabalho.

As previsões de Bruxelas apontam para um aumento de 1,3% do emprego em 2016, seguido de uma subida de apenas 0,8% este ano e de 0,6% em 2018. Esta criação de postos de trabalho permitirá continuar a baixar a taxa de desemprego ao longo do horizonte: este ano para 10,1% e em 2018 para 9,4%.

O Executivo está mais otimista do que a Comissão. O ministro das Finanças primeiro e o da Economia depois, ambos confirmaram que o Governo espera descer a taxa de desemprego para menos de dois dígitos já em 2017. Esta previsão é melhor do que a que serviu de base à construção do Orçamento do Estado para 2017, que conta com uma taxa de desemprego ainda de 10,3%.

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