Centeno revê em baixa previsão do desemprego

O ministro das Finanças antecipa uma taxa de desemprego mais baixa para este ano do que aquela que está inscrita no Orçamento do Estado. Número deverá ficar abaixo dos dois dígitos já em 2017.

O ministro das Finanças já está a antecipar uma taxa de desemprego mais baixa para este ano, do que aquela que inscreveu no Orçamento do Estado. Durante a apresentação do Economic Survey da OCDE sobre Portugal, esta segunda-feira, Mário Centeno deixou a promessa: “Baixaremos do limiar dos dois dígitos”. Esta foi a primeira vez que um governante se comprometeu com tal meta no horizonte até 2018.

“Portugal registou, ao longo de 2016, das maiores descidas da taxa de desemprego na Europa, dois pontos percentuais, com a taxa a ficar no limiar dos 10%”, disse o ministro das Finanças. E prometeu: “Baixaremos do limiar dos dois dígitos”. Centeno reconheceu que “o relatório [da OCDE] prevê que tal não aconteça”, mas aproveitou a diferença nas previsões sobre o mercado de trabalho para introduzir uma nota de humor: “Teremos de pedir desculpa ao secretário-geral Gurría”, disse, acrescentando que está certo que “assim que isso acontecer, a equipa da OCDE ficará genuinamente satisfeita”.

Ao que o ECO apurou, o Governo está a antever uma taxa em torno de 10,4% para o quarto trimestre de 2016, o que é compatível com um número para o conjunto do ano em torno de 11% ou 11,1%. Os números finais serão revelados pelo Instituto Nacional de Estatística já na quarta-feira.

Com este resultado em 2016, o Executivo espera que o arranque deste ano seja já muito próximo do limiar dos 10%, baixando dos dois dígitos ao longo de 2017, confirmou o ECO junto do Ministério das Finanças. Por isso, em termos médios, a taxa poderá ficar abaixo dos dois dígitos já em 2017, antecipa a equipa das Finanças.

Consultando as previsões do Orçamento do Estado para 2017, verifica-se que o Governo desenhou os planos de contas públicas para este ano com base numa taxa de desemprego média de 10,3%. Para 2018, não há projeções oficiais atualizadas — as mais recentes são as do Programa de Estabilidade 2016-2020, apresentado em abril do ano passado. Mas neste documento, o Executivo contava ainda com uma taxa de desemprego de dois dígitos em 2018 (10,4%) e uma taxa de 9,8% para 2019.

Contudo, o mercado de trabalho surpreendeu em 2016, tal como surpreendeu o comportamento da economia no segundo semestre do ano passado. Aliás, o ministro das Finanças frisou que o efeito de arrastamento do PIB de 2016 para 2017 é três vezes superior ao que se registou de 2015 para 2016.

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