Portugal regressa aos mercados na próxima semana

Tesouro emite até 1.250 milhões de euros em obrigações a cinco e a sete anos na próxima quarta-feira, num contexto de agravamento do risco nos mercados de dívida.

Portugal está de regresso aos mercados de financiamento. O Tesouro português conta emitir entre 1.000 e 1.250 milhões de euros em obrigações a cinco e sete anos na próxima quarta-feira, anunciou esta sexta-feira o IGCP.

Esta será a segunda emissão de longo prazo do ano, depois da emissão sindicada a 10 anos realizada no dia 11 de janeiro. Nessa operação, a agência que gere a dívida pública levantou levantou 3.000 milhões de euros em obrigações do Tesouro a 10 anos, tendo pago um juro de 4,3%, o mais elevado desde a saída da troika. A operação garantiu cerca de 20% das necessidades de financiamento do país.

A anúncio surge num contexto de forte agravamento dos juros da dívida nacional em mercado secundário. A yield associada às obrigações a 10 anos sobe esta sexta-feira cinco pontos base para 4,172%, mantendo-se no nível mais elevado desde março de 2014, há quase três anos. Os juros subiam em todas as linhas com maturidade mais longas no dia da revisão do rating por parte da Fitch.

Juros continuam acima de 4%

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O comportamento de subida dos juros tem sido evidenciado pelas altas instâncias europeias como sinal de que os mercados estão nervosos com o país. “A volatilidade nos mercados sublinha a necessidade de Portugal acelerar as reformas e de fortalecer os bancos”, notou Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo.

“Portugal já cobriu cerca de 20% das suas necessidades de financiamento de entre 14 e 16 mil milhões de euros, o que é respeitável. Além disso, os números do crescimento e do défice surpreenderam pela positiva. Ainda assim, vemos espaço para a agência Fitch construir uma retórica conservadora em relação a Portugal”, refere o analista David Schnautz, do Commerzbank, numa nota do banco alemão em que antecipa a revisão do rating da parte daquela agência norte-americanas prevista para esta sexta-feira.

“No geral, esperamos que o outlook estável seja confirmado mas que seja sinalizado que os riscos estão firmemente inclinados para baixo — provavelmente ainda mais agora do que há duas semanas. O facto de as yields estarem claramente acima de 4% e de terem superado o pico de fevereiro de 2016 fundamenta a nossa visão. Reiteramos a nossa posição cautelosa em relação às obrigações portuguesas”, acrescentou.

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