Combustíveis ditam aumento da inflação em 2016, a maior desde 2012

O preço do petróleo está a pressionar os preços. O valor é superior ao de 2015, mas ainda está longe da meta perto dos 2% que o Banco Central Europeu estabeleceu para a Zona Euro.

“Em 2016, o Índice de Preços no Consumidor (IPC) registou uma taxa de variação média anual de 0,6% (0,5% no ano anterior)”, lê-se no destaque sobre a taxa de variação média anual do IPC, ou seja, a inflação, em Portugal, divulgado esta quarta-feira. Se excluirmos a energia e os bens alimentares não transformados, a taxa de inflação anual situou-se em 0,7% em 2016, igual ao de 2015.

Os preços em Portugal subiram 0,6%, a maior inflação registada no país desde 2012, ano em que a inflação foi de 2,8%. Este valor representa uma recuperação face aos 0,5% de 2015, mas está longa da meta que o BCE liderado por Draghi quer alcançar com a política monetária expansiva. Na Zona Euro, a média dos últimos doze meses até novembro dava uma inflação anual de 0,2%, segundo o Eurostat, mas o mês de dezembro uma surpresa.

Recorde-se que em Portugal a taxa de inflação em 2013 tinha sido de 0,3% e em 2014 de -0,3%. Desde 2000 e pelo menos até 2008, a inflação evoluiu sempre entre os 2% e os 4%, antes da crise financeira.

Taxa de variação média anual do IPC

Fone: INE (Valores em percentagem)
Fone: INE (Valores em percentagem)

Quem foi responsável por esta subida? A subida do preço dos combustíveis. “Dada a estabilização da inflação subjacente, o aumento da taxa de variação média anual do IPC entre 2015 e 2016 foi influenciada pela evolução dos preços dos produtos energéticos. Com efeito, a variação deste agregado foi menos negativa em 2016, passando de -3,6% em 2015 para -1,8%”, lê-se no destaque do Instituto Nacional de Estatística. “Em 2016 é visível uma ligeira aceleração dos preços na segunda metade do ano comparativamente com o 1º semestre”, refere o INE, o que coincide com o aumento do preço do barril do brent.

Já os preços dos produtos alimentares não transformados continuam a aumentar, mas essa subida desacelerou. “Os preços dos produtos alimentares não transformados desaceleraram em 2016, embora mantendo uma taxa de variação média positiva que se fixou em 1,6% em 2016 (1,9% em 2015)”, indica o INE. Além disso, os preços dos serviços (+1,5%) aumentou a um ritmo mais elevado do que os preços dos bens (taxa de variação média nula).

Fonte: INE.
Fonte: INE.

“Ao nível das classes de despesa destacam-se os contributos positivos para a variação média anual em 2016 dos Restaurantes e hotéis e das Comunicações. Relativamente às contribuições negativas, destacam-se a dos Transportes e da Saúde, destacando-se esta última por ter registado um contributo positivo no ano anterior”, refere o INE no destaque.

O Índice de Preços no Consumidor mede a evolução temporal dos preços de um conjunto de bens e serviços representativos da estrutura de despesa de consumo da população residente em Portugal. Este não é um indicador do nível de preços mas antes um indicador da respetiva variação.

Editado por Mariana de Araújo Barbosa (mariana.barbosa@eco.pt)

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