ComparaJá fecha ronda de financiamento de 20 milhões de euros

Ronda de investimento Série A vai acelerar área de comparação de seguros, que deverá ser lançada ainda no primeiro semestre de 2017. Novos mercados poderão estar a ser planeados.

A plataforma de comparação de produtos financeiros ComparaJá.pt acaba de fechar uma ronda de financiamento Série A no valor de 20 milhões de euros. O site gratuito funciona como um agregador e comparador de produtos como cartões de crédito e crédito pessoal. A primeira ronda de financiamento foi assegurada junto de investidores como Mark Pincus, fundador da Zynga ou Peter Thiel, fundador do Paypal, para além de fundos de investimento como o ACE & Company, a Nova Founders Capital ou o Pacific Century Group, fundo de investimento da família Li Ka-shing.

Fundado no início de 2015 por Sérgio Pereira — em parceria com o investidor Mads Faurholt-Jorgensen — o projeto da ComparaJá.pt foi incubado na Startup Lisboa. Iniciado em março desse ano, o site foi lançado em julho do mesmo ano: a plataforma oferece um serviço de comparação 100% independente, e tem como principal objetivo revolucionar a forma como os clientes comparam e adquirem produtos e serviços dos setores da Banca, Seguros e Telecomunicações.

"Vamos usar o investimento para três pilares fundamentais: desenvolvimento e lançamento de novos produtos, contratação de mais colaboradores e divulgação.”

Sérgio Pereira

ComparaJá.pt

Através da plataforma, a ComparaJá ajudou mais de 750.000 utilizadores. Sérgio Pereira considera que, com o financiamento, a empresa conseguirá “ajudar ainda mais pessoas”. “Vamos usar o investimento para três pilares fundamentais: desenvolvimento e lançamento de novos produtos, contratação de mais colaboradores e divulgação: é importante criar todos os processos e a tecnologia mas, depois, é necessário dar a conhecer a plataforma, começando pelo online mas passando também pelo offline“, explica Sérgio Pereira, em entrevista ao ECO.

“Tanto os consumidores como as instituições financeiras receberam o ComparaJá.pt com entusiasmo. O mercado das Finanças Pessoais é, sem dúvida, uma oportunidade única com imenso espaço para o progresso tecnológico. Estamos muito motivados com esta ambiciosa missão de ajudar os consumidores portugueses”, considera Mads Faurholt-Jorgensen, managing partner da Nova Founders Capital.

30 segundos e uma solução à medida

A vontade de voltar a Portugal era grande mas Sérgio Pereira, de 32 anos, decidiu regressar a Lisboa e criar um negócio próprio. “Depois de vários anos a trabalhar em consultoria, muito focado no setor financeiro, percebi que o modelo de negócio que já existia há bastante tempo — e que eu usava muito em Londres — ainda estava muito pouco ativo em Portugal. (…) As pessoas gostam de ter informação. É algo que, se se gosta da experiência, não se esquece”, detalha.

O negócio dos cinco maiores comparadores, que deverá valer cerca de 7.000 milhões a nível mundial, serviu de motor à vontade. “Percebi a urgência e a necessidade de dar mais transparência ao mercado, depois daquilo que se passou entre 2008 e 2012 e que afetou a relação das pessoas com as instituições”, conta. E não se tratava apenas de montar um negócio mas de ser pioneiro na sua otimização. “Queríamos ajudar os portugueses a escolher melhor os produtos financeiros, poupar tempo e poupar dinheiro ao escolher o produto certo para si — que nem sempre o produto mais barato”, diz Sérgio.

Parte da equipa da ComparaJá.
Parte da equipa da ComparaJá.pt.D.R.

Na altura, Sérgio começou a procurar alternativas de negócio que fossem escaláveis, que “poderiam ser interessante para lançar em Portugal mas que também tivesse bases muito fortes e oportunidades de mercado. A decisão foi tomada em seis semanas, depois de encontrar o investidor e cofundador”, recorda.

Graças à tecnologia desenvolvida a partir da Startup Lisboa, a ComparaJá permite comparar várias opções financeiras através de filtros escolhidos pelo utilizador e, em menos de 30 segundos, apresenta as soluções mais vantajosas dependendo do perfil de cada clientes. O modelo de negócio é simples: a plataforma estabelece parcerias com as instituições cujos preços agrega e a operação funciona com base numa comissão. “É uma forma de captar a atenção do cliente e de depois ganhar esse cliente. As margens variam muito consoante o produto de que se trata, também de mercado para mercado, e da informação que podemos passar. Sobre as comissões, são competitivas no mercado”, diz o CEO da ComparaJá.

As margens variam muito consoante o produto de que se trata, também de mercado para mercado, e da informação que podemos passar. Sobre as comissões, são competitivas no mercado.

Sérgio Pereira

Os dados sobre as opções financeiras são atualizados diariamente: neste momento, a oferta disponível varia entre cartões de crédito e o crédito pessoal. No entanto, uma das novidades associadas à ronda de financiamento conseguida é a diversificação dos produtos disponíveis. Nos próximos meses, a plataforma integrará também soluções para os restantes produtos de banca, seguros, telecomunicações e energia.

Depois de Portugal, a empresa fez crescer o negócio — com marcas próprias — na Bélgica, Finlândia e Noruega. “Cada marca funciona como declinação da versão portuguesa”, explica Sérgio. Os planos de crescimento não são modestos. “A nossa ambição é a de ser uma marca top em Portugal, em menos de três anos”, conclui Sérgio.

A ComparaJá.pt conta atualmente com uma equipa de 20 pessoas. No entanto, a estrutura internacional que assegura todas as plataformas da rede conta com mais 60 pessoas, quase todas com base em Lisboa.

Lisboa, a nova Silicon Valley?

Sobre a opção de Lisboa como base da ComparaJá para o mundo, Sérgio não voltou a duvidar da decisão. “Quando lancei a plataforma ainda não estava definido se íamos lançar isto em Portugal ou não. Mas em Portugal temos gente muito qualificada. E se compararmos o custo por hora efetiva, Portugal é dos mais competitivos do mundo porque estamos a falar de trabalho altamente qualificado, muito boa qualidade e a um preço atrativo. Depois, Lisboa é uma cidade fantástica para viver. O clima, os preços, a proximidade com todos os países da Europa, o facto de as pessoas serem muito acolhedoras. “Temos aqui tudo para ser um pequeno Silicon Valley da Europa”, diz.

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