10 voltas na montanha-russa dos mercados em 2016

Um sobe e desce constante. Foi assim o ano nos mercados, num período marcado por muitas surpresas. Dê, com o ECO, 10 voltas na montanha-russa das moedas, ações e obrigações.

2016 fica marcado pela subida do dólar, descida vertiginosa da libra e do peso mexicano, por negócios multimilionários entre empresas, muitas decisões de política monetária a nível mundial e pelos recordes do Dow Jones. Isto, e muito mais, num período marcado pela decisão do Reino Unido de sair da União Europeia e pela eleição de Donald Trump para a presidência dos EUA. Uma autêntica montanha-russa nos mercados… Entre e prepare-se para 10 voltas pelos números vertiginosos nos mercados do ano que agora está a chegar ao fim.

Quem subiu?

1. Trump dá boleia aos recordes do Dow Jones

Quase, quase na fasquia dos 20 mil pontos. O Dow Jones aproximou-se deste patamar como nunca antes o tinha feito, isto depois de vários máximos históricos. Atingiu recordes intradiários por 34 vezes, fixando máximos de fecho por 43 vezes, de acordo com os dados da Bloomberg. Um desempenho extraordinário patrocinado por Donald Trump. As promessas de aumentar a despesa nas infraestruturas e aliviar a regulação no setor bancário feitas pelo presidente-eleito dos EUA fizeram disparar as bolsas. E é grande a confiança dos investidores de que possam manter a toada positiva nos índices da maior economia do mundo.

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2. Teck Resources. Conhece? Disparou 463%

A recuperação do mercado das matérias-primas já está a dar frutos. A mineira canadiana Teck Resources apanhou a boleia da valorização para registar uma subida de 463%, o melhor desempenho entre as empresas mundiais com capitalização de mercado superior a 10 mil milhões de dólares. Isto em comparação, por exemplo, com o Banco del Caribe Banco Universal, que cresceu 365% em termos de capitalização de mercado, e com a Advanced Micro Devices (a AMD), que acelerou 278%. Segundo a Bloomberg, a Teck Resources pode vir a tornar-se na mais recente mineira a abrir os cordões à bolsa e a entregar milhões aos acionistas através de dividendos avultados.

3. E a Fed subiu os juros… pela segunda vez

Os responsáveis da Reserva Federal dos EUA subiram as taxas de juro pela segunda vez desde que a cortaram para valores perto de zero, em 2008. A subida foi de 25 pontos base para o intervalo entre 0,5% e 0,75%. Mas a entidade liderada por Janet Yellen não se vai ficar por aqui. O banco central promete novos aumentos da taxa diretora no próximo ano, isto numa altura em que os restantes bancos centrais mundiais continuam a cortar taxas. Em 2017, a Fed deverá continuar a subir os juros. Aponta para três subidas em 2017, altura em que a Casa Branca terá um novo inquilino: Donald Trump.

Juros sobem nos EUA

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Fonte: Federal Funds Target Rate Mid Point of Range

4. Time Warner e AT&T. Pode ser o 5º maior negócio

O mercado já assistiu à fusão da Time Warner com a AOL, da Vodafone AirTouch com a Mannesmann, da Verizon Communications com a Cellco Partnership e da AB InBev com a SABMiller. Mas pode estar prestes a testemunhar o quinto maior negócio de sempre: Time Warner e AT&T. A operadora de telecomunicações AT&T terá mesmo aceitado comprar a Time Warner, dona da Warner Bros., da CNN, da HBO e da TNT, num negócio multimilionário de mais de 80 mil milhões de dólares. O acordo, que deverá resultar na fusão das duas empresas e vai gerar um autêntico colosso no mundo dos media e das telecomunicações, deverá dar mais um impulso às operações de fusões e aquisições deste ano. Deverão atingir os três biliões de dólares (cerca de 2,9 biliões de euros) em 2016, o terceiro melhor ano da última década. Ainda assim, um resultado dececionante.

5. OPEP atinge recorde de produção. Agora vai cortar

Este foi o ano da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Depois de muitos avanços e recuos, o cartel conseguiu finalmente chegar a um acordo para limitar a produção de petróleo. Os países produtores concordaram reduzir a produção em 1,2 milhões de barris por dia para 32,5 milhões por dia. O objetivo será impulsionar os preços da matéria-prima. Mas o cartel contradiz-se ao injetar um recorde de 34,16 milhões de barris de petróleo por dia em novembro, num mercado já mergulhado num excesso da matéria-prima. Agora que os preços do petróleo conseguiram finalmente superar a barreira dos 50 dólares, será que vão continuar a recuperar?

6. Procura por ouro dispara, preço sobe (mas pouco)

Quando Donald Trump venceu as eleições presidenciais norte-americanas, os investidores ficaram receosos em relação ao que o futuro reservava e tentaram proteger-se do risco. Procuraram, por isso, ativos considerados seguros, como é o caso do ouro. O “metal amarelo” registou a procura mais elevada de sempre a 9 de novembro. No entanto, isto pode mudar, uma vez que a segunda metade do ano foi marcada por uma acentuada desvalorização da matéria-prima até pouco mais de 1.100 dólares (apesar de manter um saldo positivo no ano). E as expectativas não são muito animadoras relativamente ao rumo das cotações tendo em conta a subida dos juros nos EUA.

Quem desceu?

7. Capitalização de mercado dos EUA em máximo. Mas a cair na Europa

A capitalização de mercado norte-americano cresceu um máximo de 38% durante este ano, num período marcado por recordes nas bolsas dos EUA. Na Europa, a valorização máxima foi bem mais comedida, e olhando para Portugal o resultado é ainda menos entusiasmante. O valor do mercado de capitais português cresceu um máximo de apenas 0,1%, segundo a Bloomberg. Porquê? O ano de 2016 não foi fácil para as cotadas portuguesas. Das 18 cotadas, 12 devem terminar o ano no vermelho, com o BCP liderar destacado as perdas na bolsa portuguesa. Nem mesmo a entrada do conglomerado chinês Fosun no BCP impede que o banco liderado por Nuno Amado apresente uma queda de mais de 70% em 2016.

Mas o cenário também foi sombrio na energia. A vitória de Donald Trump nas eleições dos EUA trouxe incerteza ao mercado. E provocou quedas acentuadas no setor energético nacional. Fortes desvalorizações que custaram mais de mil milhões de euros ao valor de mercado da EDP e EDP Renováveis. A EDP baixou mesmo dos 10 mil milhões.

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Fonte: Bloomberg

8. Obrigações globais com saldo negativo

O Bloomberg Barclays Global Aggregate Total Return Index — que mostra o desempenho das obrigações globais — recuou 4% em novembro, a queda mais acentuada desde a criação do indicador, em 1990. As obrigações soberanas dos EUA recuaram perante a subida de juros por parte da Fed, tendência seguida pela dívida soberana europeia. O que provocou esta queda? A especulação de que o Banco Central Europeu pode estar a chegar ao fim na sua política altamente expansionista. 2017 deverá ser o ano que marca o fim do programa de compras de ativos em larga escala, mas o ritmo de compras já está a encolher.

9. Libra? E o peso? As moedas mais castigadas

A libra tem sido o principal barómetro do sentimento dos investidores face ao Brexit. Depois de o Reino Unido ter decidido sair da União Europeia, a moeda britânica tremeu e recuou mais de 8% para 1,3679 dólares. E não ficou por aqui. Desde então já perdeu mais valor e negoceia agora perto dos 1,2262 dólares, estando perto de mínimos de três décadas.

Já a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais, outro evento que marcou este ano, fez outra vítima: o peso mexicano. O peso, considerado por muitos como a moeda mais vulnerável a este desfecho, foi penalizado pelos receios dos investidores de que a vitória de Trump dificulte a relação dos EUA com o México. O peso recuou 7,64% para 0,05039 face ao dólar e, assim como aconteceu com a libra, a descida continuou até hoje. A moeda mexicana negoceia agora perto dos 0,0484. E o euro? Caiu, mas apenas 3,8%.

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Fonte: Bloomberg

10. Cazaquistão está mais seguro, dizem os investidores

O custo de se proteger contra o incumprimento da dívida do Cazaquistão foi o que mais recuou este ano. Registou-se uma descida de 45% no valor dos Credit Default Swap (CDS) – instrumentos financeiros que funcionam como um seguro para os investidores. Isto depois de especialistas terem previsto um crescimento económico significativo do país. Por exemplo, o Fundo Monetário Internacional pretende rever em alta a estimativa para a economia, de acordo com o chefe de missão do FMI para o Cazaquistão. Do lado oposto, segurar dívida da Alemanha — o motor da economia europeia — custa mais 70% do que no final do ano passado. O preço dos CDS da Alemanha registou o aumento mais expressivo entre todos os países, apesar de continuar a ser um dos mais baixos.

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