Cerca de 110 mil portugueses emigraram em 2015

  • Lusa
  • 29 Dezembro 2016

Ainda não é possível concluir se a emigração estagnou ou está a descer, sendo previsível que os números de saídas não diminuam para valores anteriores à crise.

Cerca de 110 mil portugueses emigraram no ano passado. Os dados constam no relatório da emigração em 2015, que foi entregue na Assembleia da República esta quinta-feira e apresentado no Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Para o ministro dos Negócios Estrangeiros, Portugal tem “verdadeiramente um problema demográfico”. “É fácil notar” o efeito da crise económica no aumento da emigração portuguesa, principalmente entre 2010 e 2014, acrescentou.

Rui Pena Pires, coordenador do Observatório da Emigração, entidade do ISCTE-IUL que colabora com o Governo, referiu que se registaram 110 mil entradas de portugueses nos países de destino, o mesmo número que nos dois anos anteriores.

Estes dados “apontam para uma estabilidade depois de um grande período de crescimento, na sequência da crise de 2008 e sobretudo depois de 2011, que estabiliza num patamar elevado”, explicou, referindo que o Observatório dispõe de dados novos que indicam que houve “um pico um pouco maior por volta de 2013” do que aquilo que tinha sido estimado no passado e, portanto, desde então, se tenha registado “uma pequena, mas mesmo pequena descida”.

A única coisa que podemos afirmar com bastante confiança é que a emigração não cresceu. Se estabilizou ou se teve uma ligeira descida, ainda não conseguimos afirmar”, acrescentou Pena Pires.

“É fácil notar o efeito específico da crise desde 2008 e, depois, com particular expressão com o programa de ajustamento entre 2011 e 2014, no reforço da saída de emigrantes portugueses”, disse Augusto Santos Silva. Para o chefe da diplomacia portuguesa, “é relativamente simples colocar a hipótese de haver uma relação causal que leva a que os efeitos de recessão económica e redução do mercado de emprego a que assistimos em Portugal entre 2010 e 2014 tenham produzido o efeito de aumento da emigração portuguesa“.

“Desde 2014, assistimos a dados que reforçam a ideia que o pico [de 2013] não mais foi atingido e que a emigração portuguesa terá pelo menos estabilizado, e pode já ter iniciado uma trajetória de redução”, comentou.

O ministro sublinhou que será importante “olhar com muito cuidado” para os dados da emigração em 2016, ano em que Portugal tem “consistentemente aumento da população ativa, aumento do volume de emprego e redução da taxa de desemprego”.

Santos Silva referiu que Portugal tem “verdadeiramente um problema demográfico”, com o saldo natural negativo (mais pessoas a morrer do que pessoas a nascer anualmente) e um saldo migratório negativo (mais pessoas a sair do que a entrar).

A pressão demográfica é “um dos problemas estruturais da sociedade” portuguesa, ao qual o Governo deve “prestar toda a atenção”.

Antes, Santos Silva referiu que Portugal teve “dois sinais de alarme” na primeira metade desta década: por um lado, “a súbita explosão da emigração portuguesa para valores que historicamente só tinham comparação com os anteriores ao 25 de abril” e, por outro, “a queda abrupta de imigração”.

Artigo atualizado com as declarações de Artur Santos Silva

 

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