E se pudesse tocar uma harpa laser? Já pode

Uma startup de Braga desenvolveu uma harpa que, em vez de cordas, tem lasers. O instrumento tem sido requisitado para eventos por todo o país.

Ainda o indestrutível Nokia 3310 era o telemóvel mais popular do país e a equipa da Imaginando já se sentava ao computador para criar música eletrónica. Passaram-se mais de 17 anos e a startup de Braga, criada há dois anos, já está a levar a sua tecnologia áudio a todo o mundo. E tem uma harpa laser que está a conquistar o país.

Recuemos a 2014. Nuno Santos, engenheiro informático, agora com 34 anos, fundava a Imaginando, depois de uma já longa experiência no mundo da tecnologia: foi parte ativa no desenvolvimento da tecnologia da Displax, empresa nacional que exporta para todo o mundo a tecnologia multitoque de última geração, e criou um controlador remoto para o software de música Ableton Live, usado pelos maiores DJ’s de todo o mundo.

O início da Imaginando marcava também o início de um sonho antigo: aliar a tecnologia e a música. A empresa começou por desenvolver controlos remotos para softwares de música, até que, em 2015, Nuno Santos se juntou ao amigo de longa data Rui Antunes, engenheiro de som, para criar um sintetizador eletrónico. O DRC ainda está em desenvolvimento, mas Nuno e Rui quiseram mostrar ao mundo o trabalho que este sintetizador consegue fazer.

E assim nasceu a harpa laser, uma reinterpretação tecnológica de um instrumento clássico. É, resumidamente, uma imponente estrutura metálica, de dois metros, com a forma de uma harpa que, em vez de cordas, tem oito raios lasers, que quando interrompidos pelas mãos emitem som sintetizado pelo DRC. Como neste vídeo:

A ideia, conta Nuno Santos ao ECO, “era criar algo que permitisse a interação por parte de pessoas não familiarizadas com técnicas de síntese sonora, tornando a experiência sónica também visual e interativa”.

"A ideia era criar algo que permitisse a interação por parte de pessoas não familiarizadas com síntese sonora.”

Nuno Santos

Fundador da Imaginando

Foi graças aos Laboratórios de Verão, uma iniciativa promovida pela incubadora bracarense GNRation, que financiava projetos para depois os expor na Noite Branca de Braga, que a ideia se materializou. “Até aí não tinha passado de uma ideia. Foi por esta altura que se idealizou a sua forma e tamanho. Para ser algo que tivesse impacto na multidão, tinha de ser grande. E assim foi, a imponente estrutura de ferro com mais de 70 quilos provou ser uma verdadeira campeã de atenções”, lembra.

A experiência na Noite Branca correu tão bem que a harpa laser já foi requisitada para eventos como a comemoração dos 100 anos da BMW, no Autódromo do Estoril, ou a abertura da loja da Galp Energia na Casa da Música.

Para já, a Imaginando só tem uma harpa disponível e o preço de aluguer depende de vários fatores, como o número de dias de utilização, por exemplo. “A produção em massa não está prevista, uma vez que não há procura que o justifique. A sua replicação está prevista a partir do momento em que se torne e apresente como um produto”, detalha o fundador da startup.

A empresa deverá fechar este ano com um volume de faturação de 60 mil euros, o triplo do registado em 2015, e prevê chegar aos 120 mil euros no próximo ano. “2017 será um ano de consolidação dos produtos existentes, por um lado, tentando expandir a sua comercialização em mais países, por outro. No segundo semestre de 2017 está prevista a comercialização de um novo produto”, antecipa Nuno Santos. O objetivo é produzir teclados sintetizadores em hardware, que vão além das aplicações mobile.

Até lá, a Imaginando continua a vender, sobretudo, para fora — Portugal representa apenas 1% das vendas. São os Estados Unidos, a Alemanha, o Reino Unido, França e Itália os principais mercados. “Este tipo de tecnologia consome-se sobretudo em países de grande expressão cultural e isso é claro através dos dados de utilização onde predominam as grandes capitais culturais, como São Francisco, Los Angeles, Nova Iorque, Londres, Paris, Berlim”, refere a empresa.

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