Lobo Xavier: “Há compromissos escritos do Governo”

É a primeira defesa pública de António Domingues, feita por um amigo. Lobo Xavier revelou que o governo assumiu compromissos escritos com a gestão da CGD sobre o salário e a declaração de património.

Ainda ninguém ouviu António Domingues sobre a crise na CGD, mas António Lobo Xavier garantiu na Quadratura do Círculo, na SIC Notícias, que o Governo assumiu compromissos com a administração do banco público por escrito. “Eu não vou em peças de teatro, sobretudo quando eu conheço o enredo. Como eu li o guião… não vou em peças de teatro mal contadas”, diz o advogado e administrador não executivo do BPI, banco de onde saiu Domingues para ir para a Caixa.

Amigo próximo de António Domingues, Lobo Xavier foi duro com António Costa e Mário Centeno. “O que está a acontecer? Está a acontecer que o Governo, com uma enorme falta de solidariedade, uma frieza que eu acho absolutamente chocante e próximo da indignidade, está a deixar passar para os gestores da Caixa o odioso da responsabilidade de coisas que combinou com eles“. E é, logo se seguida, que revela o que ainda ninguém tinha dito: “Havia uns senhores que tinham belíssimos lugares nos sítios onde estavam e foram desafiados pelo governo para tratar da CGD. [Os gestores] Puseram as suas condições, como acontece sempre, e foi-lhes prometido, foi-lhes até escrito, foi-lhes até escrito”, repete.

Esta versão de Lobo Xavier é um desmentido formal a declarações de membros do Governo que já desmentiram publicamente a existência de qualquer compromisso com António Domingues, menos ainda escrito.

“Portanto, esses compromissos, que inclusivamente estão inscritos, não são do A, do B ou do C, não se pode dizer que o primeiro-ministro não sabia ou sabia, e o ministro das Finanças não sabia…”, insiste o advogado. “Os governos não funcionam assim, os compromissos eram do conhecimento de todos, e toda a gente tinha era a ideia de que bastava alterar o Estatuto do Gestor Público para resolver todos os problemas colocados, ou seja, quer o salário, quer o da revelação das declarações. E toda a gente esperava que essa alteração que foi feita em paz durante o verão resolvesse os problemas todos e era esse o entendimento jurídico”.

Para Lobo Xavier, a explicação é simples. “O governo tinha, algures antes de setembro, a ideia de que todos os compromissos já estavam cumpridos e que não havia problema nenhum. Quando o problema foi levantado por Marques Mendes e depois pelo PSD, cavalgado depois por toda a Esquerda, o governo deixou sozinhos os gestores, desresponsabilizou-se de toda a situação…”.

O comentador residente da SIC Notícias não revelou qual será a decisão de António Domingues, mas deixou escapar, quase entre dentes, que “já não há nada a fazer“. Mas fez a defesa acérrima do presidente da CGD: “Os gestores estão calados, estão em silêncio, não há declarações dos gestores, não há entrevistas, não se defendem. Estão a ser vítimas de uma cena absolutamente inacreditável de falta de solidariedade e de falta de assunção de responsabilidades”.

António Lobo Xavier também não deixou de responder às sucessivas declarações públicas do primeiro-ministro e do ministro das Finanças, e até de Marcelo Rebelo de Sousa, sobre a prioridade da recapitalização do banco público, avaliada em mais de cinco mil milhões de euros. “Eu também não sei quem quer a recapitalização rápida e quem não quer. Não sei a quem aproveita, não sei já se o governo tem pressa na recapitalização, em dar passos este ano”. Porquê? Por causa dos impactos da recapitalização da Caixa no défice de 2016, atira. “Que país é este!?”

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