Ainda o Web Summit: o lado formal dos empreendedores

Há formalidade nos negócios. Os empreendedores 'rock-star' do Web Summit cortaram com essa ideia. Mas as Câmaras de Comércio bilaterais dão-lhe continuidade e garantem projeção internacional.

Todos ficaram a conhecer o lado informal dos empreendedores de todo o Mundo. Até António Costa, primeiro-ministro, e Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, dispensaram algumas regras de protocolo para celebrar a vinda do Web Summit para Portugal.

O ECO foi à procura do lado mais formal do Web Summit e que continuará certamente durante todo o ano: as Câmaras de Comércio internacionais e bilaterais que abrem caminho para a internacionalização das empresas.

Foi isso que se encontrou no evento Web Summit Chill Out, organizado pela Câmara Alemã, Belgo-Luxemburguesa, Brasileira, Britânica, Chinesa, Espanhola, Francesa, Holandesa, Japonesa e Suíça, pela ANJE, Associação Nacional de Jovens Empreendedores, e pela Fábrica de Startups.

Era este o som de ambiente do evento. Recebidos no Palacete Gomes Freire, já por isso um sítio formal, os empreendedores, investidores, empresários e curiosos invadiram a atmosfera de inglês, ideias e aspirações. Estava lançado o networking embalado pelo som de música ao vivo e pela noite amena de Lisboa.

A organizadora que faz pontes

Desde 1998 que Marjon van Dinther é diretora da Câmara de Comércio Holandesa. Não tem nenhum apoio do Estado holandês, exceto um apoio da Embaixada holandesa em Portugal. A viver quase também como uma empresa, esta Câmara de Comércio sentiu que podia apoiar startups e o Web Summit foi o desbloqueador dessa vontade.

Há um projeto a nascer inclusive, “que está bastante avançado”, confessa ao ECO, que envolverá várias Câmaras de Comércio para fortalecer as relações bilaterais para as startups localizadas em Portugal, sejam de portugueses ou de estrangeiros. “O Web Summit Chill Out é um marco porque esse projeto vai arrancar em breve”, explica Marjon van Dinther.

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Marjon van Dinther | Créditos: Gonçalo Archer de CarvalhoGonçalo Archer de Carvalho

“O mercado português é pequeno. As startups querem expandir”, considera ao ECO. Essa expansão necessita de conhecimento, dado pela Câmara de Comércio, mas também de um intenso networking. “Não é fácil entrar no mercado holandês para uma startup portuguesa”, confessa. Caso a caso, a Câmara de Comércio pensa qual a melhor forma de lá chegar e ter sucesso.

Um empreendedor à procura do investidor que não veio

Veio à procura de um investidor específico. Mas confessa ao ECO, passado um pouco tempo do evento ter começado, que errou no dia. Parece que não vai ter sorte neste evento de networking, mas não deixa de falar sobre o que o traz ali: a empresa de diagnóstico de bactérias num estrato biológico que agora gere. Chama-se Magnomics e tem como CEO João Pereira.

“A tecnologia é um spin-off do Instituto Superior Técnico”, explica ao ECO o ex-aluno da Universidade. Foram 10 anos de desenvolvimento. É este o tempo necessário na maior parte dos projetos de biotecnologia onde o empreendedorismo parece ainda mais complicado. A startup, no entanto, existe só há três anos.

A área de life sciences em Portugal é muito incipiente. É preciso fazer com que as coisas funcionem. Regra geral, as empresas precisam de muito dinheiro e de cinco ou seis anos até conseguirem entrar no mercado.

João Pereira

CEO da Magnomics

“Estamos a fazer a prova conceito de um dispositivo portátil que é de simples utilização, utilizável em qualquer sítio por qualquer pessoa, para detetar bactérias numa amostra. A aplicação inicial vai ser em saúde animal”, continua João Pereira, 35 anos, licenciado em Engenharia Eletrotécnica e fundador do projeto, apesar de não ser um dos inventores.

Porquê? “É mais fácil de entrar. A área de life sciences em Portugal é muito incipiente. É preciso fazer com que as coisas funcionem. Regra geral, as empresas precisam de muito dinheiro e de cinco ou seis anos até conseguirem entrar no mercado”, confessa. A validação, se fosse para aplicar à saúde humana, seria muito pior a todos os níveis: custos, tempo e dificuldade técnica.

As breakout sessions

A meio da noite é altura de se encaminhar os esforços para ajudar as startups. Chamaram-lhe “Breakout Sessions”: são 20 minutos de apresentações, trocas de argumentos e ideias para que o empreendedor sob foco consiga ultrapassar uma dificuldade, um problema que está a atrasar o desenvolvimento da empresa ou apenas a pensar novas mais-valias para o serviço que presta.

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Breakout Sessions | Créditos: Gonçalo Archer de CarvalhoGonçalo Archer de Carvalho

O tempo é cronometrado. Não há tempo a perder nessa maratona que é empreender. Mas há tempo para ajudar, com o conhecimento que se tem, quem está a começar. O ECO espreitou a sessão da Viable, uma plataforma que ajuda investidores a procurarem e automaticamente avaliarem as ideias de empreendedores que são compatíveis com os seus critérios de investimento.

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Breakout Sessions | Créditos: Gonçalo Archer de CarvalhoGonçalo Archer de Carvalho

Na sala estavam pessoas com perfis díspares, mas capazes de ajudar aquela startup espanhola da melhor forma que conseguiram. As perguntas foram a base da discussão. O empreendedor lá tenta responder também envolto nas suas dúvidas. E é entre as dúvidas quanto ao futuro e as certezas do presente que continuam a caminhar.

Editado por Mariana de Araújo Barbosa

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