Seis bocas de Schäuble sobre Portugal

O ministro das Finanças alemão não hesita em criticar, avisar, sugerir, comentar, as opções de Portugal. Muitas vezes, ou quase sempre, as declarações são polémicas.

O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, deixou esta quarta-feira recados ao Governo português. Disse que tudo corria bem… até António Costa ter tomado posse. Mas esta não foi a única boca que o governante mais ortodoxo do euro deixou ao país. Aqui ficam outras.

“Portugal foi muito bem-sucedido até ao novo Governo.”

É a mais recente declaração de Wolfgang Schäuble que visa diretamente as escolhas do Governo de António Costa. Esta quarta-feira, o ministro das Finanças alemão disse que o país ia no bom caminho até o Executivo PS chegado ao poder e ter declarado que “não iria respeitar aquilo que tinha sido acordado pelo Governo anterior”.

Portugal vai pedir “um novo programa e vai tê-lo”. Reformulando: “Portugal não quer um novo programa e não vai precisar dele, se cumprir as regras europeias que obrigam à consolidação orçamental e à redução do défice.”

Estávamos a 29 de junho e durante alguns minutos pensou-se em Portugal que aquele seria um novo verão quente. A Bloomberg publicou uma declaração do ministro alemão dando conta de que o Governo português iria pedir, e ter, um novo programa de resgate. Mas, minutos depois, publicou novas declarações em que o ministro alemão recuava.

“Deseja-se incentivar e evitar incentivos erróneos para que os países atuem e façam o que têm de fazer.”

A declaração é de 12 de julho, altura em que a Comissão avaliava se devia sancionar os governos português e espanhol por não terem tomado medidas eficazes para cumprir a meta do défice em 2015. Schäuble destacou-se por pedir repetidamente o cumprimento das regras comunitárias, numa linha ortodoxa de interpretação do Pacto de Estabilidade e Crescimento. Contudo, mais tarde, na reunião que decidiu cancelar as sanções, terá sido uma peça chave para o resultado, escreveu o Politico.

“Portugal deve dar ouvidos aos avisos da União Europeia no que diz respeito a políticas públicas”

7 de março, à entrada de um Eurogrupo. Schäuble voltou a pedir ao Governo português que seguisse o caminho de políticas públicas defendido por Bruxelas. Nesta fase, discutia-se em Portugal o Orçamento do Estado para 2016, depois de uma acesa troca de impressões com as autoridades comunitárias sobre esforço de ajustamento orçamental.

“Portugal tem de fazer tudo o que for possível para lidar com a incerteza nos mercados.”

Foi uma consideração à margem da reunião dos ministros das Finanças da União Europeia (Ecofin), citada pela Bloomberg, a 12 de fevereiro. Schäuble avisou que vários ministros expressaram “grande preocupação” com a subida dos juros de Portugal nos mercados e frisou que o país ainda não goza de grande “resiliência”.

“Os mercados já estão a ficar nervosos.”

Um dia antes, a 11 de fevereiro, Schäuble tinha deixado já um aviso. Os mercados estavam nervosos com o rumo do Governo de António Costa, garantiu. “Estamos atentos aos mercados financeiros e, como acabei de dizer, acho que Portugal deve prestar muita atenção ao que se passa e não continuar a perturbar os mercados”, sublinhou. Em causa estavam medidas do Governo PS que recuavam face às que tinham sido implementadas por Passos Coelho.

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