Fuck Up Night: O fracasso em minutos

  • Ana Luísa Alves
  • 28 Setembro 2016

Ir a uma Fuck Up Night é mais do que ouvir histórias de jovens empreendedores que foram do fracasso ao sucesso. É perceber como é que na falha há uma oportunidade para mudar.

O fracasso também sobe ao palco. Exemplo disso é a Fuck Up Night (FUN), que aconteceu no fim do dia 21 de setembro, num dos salões da Reitoria da Universidade de Lisboa. Ao palco subiram quatro oradores e quatro histórias diferentes, mas com uma coisa em comum: todos eles fracassaram nos seus negócios antes de terem sucesso.

As FUN chegaram a Portugal pela mão de Sofia Ferreira Simões, da Smart Launch, um projeto que pretende ajudar jovens empreendedores.

“É por falta de determinação nossa que desistimos muito hoje em dia, e com muita facilidade, tendo a ideia de que as coisas são mais difíceis, sobretudo a nível económico”, refere Sofia, acrescentando que o principal motivo que o traz ao evento é o de inspirar jovens empreendedores, para mostrar que é possível recuperar depois de um problema”.

O ambiente é descontraído, mas não há muito tempo para Filipa Laranjeira, da Uniplaces, Filipe Carvalho, da Wide Scope, André Almeida, da Startup Grind, e Miha Matlievski, da Fail Coach, falarem das suas experiências.

“Não acredito em falhar”, começa Filipa, captando desde início a atenção de quem a ouve. “O fracasso não é mais do que uma aprendizagem. Se algo não está a correr bem é porque eu tinha de aprender com isso”, acrescenta. Para Filipa o fracasso tem a mesma “conotação negativa” do sucesso, isto “se o sucesso quiser dizer apenas dinheiro ou estatuto, então sim, já falhei algumas vezes”.

Filipe Carvalho, da consultora Wide Scope, é o orador que se segue. Com algum humor, distingue as diferentes fases em que mais se erra num negócio. “É fácil falhar na criação do produto, no desenvolvimento da ideia, mas é ainda mais fácil falhar depois do almoço”. A Wide Scope existe desde 2003, mas no início foi difícil não ter qualquer tipo de financiamento ou contactos, o que levou a que durante anos se pisasse terreno incerto quanto ao futuro do negócio. “O meu maior arrependimento é ter pensado que podia tomar certas decisões sem saber que riscos corria”, acrescenta Filipe.

O brasileiro André Almeira começou em 2013 uma startup com um grupo de amigos. “Investimos muito dinheiro, mas a certa altura todos desistiram”, conta André. Para o diretor da Startup Grind, a maior falha que pode ser cometida é não trabalhar numa empresa antes de iniciar o seu próprio negócio, algo que considera essencial.

O último orador aterrou na Universidade de Lisboa diretamente da Eslovénia. Miha Matlievski, da Fail Coach relembra a criação da empresa em 2009, momento em que viu a sua empresa de energia cair. “Pensava que já sabia tudo, que vendia bem, não precisava de mais nada, até que perdi milhões de euros em apenas duas semanas”, conta Miha. Viviam-se tempos de recessão económica, iniciada em 2008, e o empresário esloveno precisou de quatro anos para reaver o dinheiro perdido. Confessa que mudou de atitude, aprendeu a partilhar as suas ideias e que precisou que outros empreendedores o orientassem.

As Fuck Up Nights (FUN) tiveram origem no México, em 2012, quando um grupo de amigos decidiu partilhar as suas histórias de modelos de negócio fracassados antes de atingirem o sucesso. O êxito deste evento foi tal que não se ficou pelo México, e hoje em dia acontece em mais de 160 cidades do globo.

Editado por Mónica Silvares

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