Estudo: TAP tem de poupar 150 a 200 milhões de euros até 2020 para ser eficiente

Comissão de trabalhadores da TAP solicitou uma reunião urgente com o Governo para discutir um estudo, realizado pela Boston Consulting Group, que propõe cortes de até 200 milhões de euros.

A TAP deveria implementar um programa de corte de custos de 150 a 200 milhões de euros até 2020, se quiser ser uma companhia aérea sustentável a longo prazo. A conclusão é de um estudo realizado pela consultora Boston Consulting Group, que já está a causar polémica entre os trabalhadores da TAP.

O estudo “Project RISE: Transforming TAP into a more efficient and agile flag airline carrier“, a que o ECO teve acesso, elabora um extenso plano de poupanças, que implica medidas de reestruturação como a redução de trabalhadores e a alienação de setores como a Manutenção e Engenharia. “Um ambicioso programa de eficiência, com poupanças entre 150 e 200 milhões de euros até 2020, poderia ser implementado. A tripulação e comandantes e as despesas gerais apresentam-se como as áreas com maior nível de potencialidade”, introduz o estudo.

Há três áreas essenciais onde cortar. Primeiro, nos pilotos e tripulação. A produtividade e eficiência de custos destes trabalhadores têm “grande margem para melhoria”. Mais concretamente, uma margem de 50 a 70 milhões de euros. Esta poupança seria conseguida com a renegociação de acordos de empresa e o ajustamento do número de assistentes de bordo ao mínimo exigido por voo.

Depois, nos custos com passageiros. A BCG considera que a TAP é “pouco competitiva” quando comparada com as concorrentes, sendo penalizada, sobretudo, pelos serviços de catering, por “irregularidades” (não especificadas) e pelos custos de reserva de voos. Contas feitas, a companhia aérea tem de fazer poupanças de 40 a 65 milhões de euros nesta área.

Por último, nos serviços de apoio. “Aumentar a eficiência e eficácia dos serviços de apoio permitiria arrecadar mais dez a 15 milhões de euros em poupanças, reduzindo a força de trabalho em 40% (incluindo os trabalhadores em regime de outsourcing)”. A renegociação do contrato com a Groundforce (cujo custo é 30% mais caro do que o contrato com a Portway, empresa integrada na Vinci, responsável pela concessão dos aeroportos nacionais) e a aposta no self service, sobretudo no check-in, seriam as principais medidas a implementar nesta área.

No fundo, aponta a consultora, a TAP precisa de “uma organização mais ágil para implementar a mudança e alcançar resultados sustentáveis”. Esta “agilidade” passa por “redefinir papéis e formalizar processos de tomada de decisão”, bem como por “implementar um programa de recursos humanos abrangente, com um processo de avaliação do desempenho e gestão de talentos”.

São contas e conclusões que caíram mal à Comissão de trabalhadores da TAP, que vê o estudo como “uma literal declaração de guerra aos trabalhadores, tantos os despedimentos, redução dos direitos e degradação das condições de trabalho ali previstas”.

Segundo a Comissão de Trabalhadores, o conselho de administração da TAP já reconheceu a existência do estudo, mas salienta que “nenhum caminho ou ideia está aprovado” e que, aliás, algumas daquelas ideias não têm “aplicabilidade na realidade da TAP”. Os trabalhadores temem, ainda assim, “que as ideias do estudo reflitam a encomenda de David Neeleman e companhia”.

“O Conselho de Administração não pode ignorar que está obrigado, por lei, a fazer participar a Comissão de Trabalhadores nos processos de reestruturação (como aquele que está em curso) e a promover a informação e consulta da mesma sobre todas as questões relevantes para a gestão da empresa e para os trabalhadores da TAP”, salienta ainda o comunicado da CT.

A comissão exige agora que o Governo “tome uma posição que assegure a defesa da TAP e do interesse nacional” e solicitou já “uma reunião urgente que permita clarificar a posição do Governo face ao futuro da TAP e ao conjunto de ameaças descritas no estudo”.

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